sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Cada subida, uma queda...

Essa última semana da minha vida, foi uma das mais felizes das quias eu me lembro.
Passei na autoescola, na 4ª tentativa, debaixo de uma chuva torrencial.
Consegui um emprego por meus méritos, que não aparece em qualquer momento, sem qualquer influência secundária.
Parece pouco...duas conquistas comuns pra muitas pessoas, e não estáticas,
uma pessoa não precisa só disso pra ser feliz.
Mas eu estava precisando, só disso pra começar a ser feliz, entre outras tantas coisas que ainda me fariam muito feliz com certeza.
Então, recebo minha carteira de motorista, dois dias depois "começo" no novo emprego. 
Feliz demais, zonza de tanta informação e responsabilidade, mas sentindo que o meu lugar era ali, o tempo todo. Entao no segundo dia do trabalho novo, ao sair de casa tão arrumada empolgada, pronta pra recomeçar uma jornada; eu encontro meu GATO atirado no canteiro, na frente da janela, durinho, de olhos abertos, sofridos...

Como seguir com aquela empolgação de segundos atrás?
um Gato que nasceu nas minhas mãos há quatro anos atrás, dormia na minha cabeça no inverno, me dava "bom dia" faminto, deixava eu apertar, abraçar e acariaciar a hora que eu quisesse; sem aquela balela de que gato é interesseiro.

Interesseiro é quem não gosta de gato, quem quer ter tudo sob controle sempre, autoritário.

O meu segundo dia tão esperado no emprego foi no minímo completamente diferente do que eu havia programado. Chorei no ônibus em silêncio, com um óculos do tamanho do meu rosto, até chegar no trabalho.
Lá não foi diferente, engoli o choro, até ir ao banheiro...e assim segui quieta.
Ao ir pra casa, novamente no ônibus chorei em silêncio, engolindo um nó que subia a todo momento na garganta. Ao chegar em casa e olhar o canto em que ele estava atirado pela manhã, desabei...
Era mais que amor, mais que carinho, fazia e faz parte de mim, como sempre fará, tatuado no meu corpo.

O momento da tarde eu precisava ocupar a cabeça...trabalhei, trabalhei.. até sutilmente deixar atristeza guardada..
Ao entrar no condomínio, de certa forma "Bem", quando me dei conta, estava procurando ele por todos os canteiros, pra chamá-lo e entrar comigo pela porta.
Talvez a ficha tenha caído aí...pois nem mesmo um tempo depois, ele não entrou pela janela, miando ouriçado querendo o barulhinho da ração "nova".

É uma das maiores dores que já senti, não desejo isso pra ninguém, só pra quem matou ele! Espero que essa pessoa passe uma dor maior que minha e aprenda com isso.

E dele, eu nunca vou esquecer, nunca vou substituir ele...
Ele vai ser meu Gato preto Amuleto, pro resto da minha vida.


Saudade sem fim...

...de quando te vi nascer, seus miados, pareciam um Pintinho piando. E tu parecia de faz de conta, tão molenguinho;

...de quando logo após nascer, você corria por tudo, se enroscava nos meus chinelos;

...de quando dormia em cima da minha cabeça no inverno, numa época não tão boêmia;

...da primeira noite que tu passou fora, em que eu não consegui dormir, achando que ão voltaria;

...de quando te levei na veterinária e ela disse que tu era o gato mais lindo que ela já tinha visto;

...de quando tu me esperava chegar na faculdade, em uma pedra próxima da porta de casa, não importando se fazia chuva ou frio, só pra entrar pela porta comigo;

...de quando tu chegava faminto da rua, querendo uma ração fresquinha...
ou nem tão faminto assim, só querendo ouvir o barulho dela caindo no pote;

...de quando eu te abraçava como se ninguém nunca fosse te tirar de mim;

...de te ver parado em um chuva intensa, como se fosse um simples banho de sol;

...de quando te dava colos intermináveis, e mesmo resistindo, tu não se rendia, e ronronava cada vez mais;

...de quando tu me dava um “cheiro”, e sem querer bocejava, com um sutil cheiror uim, e muitos dentes a menos;

...de quando te dava banho, e apesar dos miados gritantes, tu adorava água;

...de cada pulga que tirei de ti, cada remédio que te dei, cada carinho na sua barriga enorme e orelhas já carecas de tanto apanhar na rua;

...de tropeçar em ti pela manhã, no escuro, enlouquecido querendo comida fresca;

...de quando eu tinha alguém pra procurar nos canteiros antes de entrar em casa;

...de quando tu estava nas cadeiras e eu quase sentava em cima de ti, na hora do almoço;

Saudade de te ter, sentir seu cheiro, ouvir seu miado, te dar um agrado.
Saudade de ter uma criatura tão especial e única esperando por mim.
Te amo meu Prê, tatuado em mim pra sempre, daqui ninguém vai te tirar!
Descansa!!!