Essa última semana da minha vida, foi uma das mais felizes das quias eu me lembro.
Passei na autoescola, na 4ª tentativa, debaixo de uma chuva torrencial.
Consegui um emprego por meus méritos, que não aparece em qualquer momento, sem qualquer influência secundária.
Parece pouco...duas conquistas comuns pra muitas pessoas, e não estáticas,
uma pessoa não precisa só disso pra ser feliz.
Mas eu estava precisando, só disso pra começar a ser feliz, entre outras tantas coisas que ainda me fariam muito feliz com certeza.
Então, recebo minha carteira de motorista, dois dias depois "começo" no novo emprego.
Feliz demais, zonza de tanta informação e responsabilidade, mas sentindo que o meu lugar era ali, o tempo todo. Entao no segundo dia do trabalho novo, ao sair de casa tão arrumada empolgada, pronta pra recomeçar uma jornada; eu encontro meu GATO atirado no canteiro, na frente da janela, durinho, de olhos abertos, sofridos...
Como seguir com aquela empolgação de segundos atrás?
um Gato que nasceu nas minhas mãos há quatro anos atrás, dormia na minha cabeça no inverno, me dava "bom dia" faminto, deixava eu apertar, abraçar e acariaciar a hora que eu quisesse; sem aquela balela de que gato é interesseiro.
Interesseiro é quem não gosta de gato, quem quer ter tudo sob controle sempre, autoritário.
O meu segundo dia tão esperado no emprego foi no minímo completamente diferente do que eu havia programado. Chorei no ônibus em silêncio, com um óculos do tamanho do meu rosto, até chegar no trabalho.
Lá não foi diferente, engoli o choro, até ir ao banheiro...e assim segui quieta.
Ao ir pra casa, novamente no ônibus chorei em silêncio, engolindo um nó que subia a todo momento na garganta. Ao chegar em casa e olhar o canto em que ele estava atirado pela manhã, desabei...
Era mais que amor, mais que carinho, fazia e faz parte de mim, como sempre fará, tatuado no meu corpo.
O momento da tarde eu precisava ocupar a cabeça...trabalhei, trabalhei.. até sutilmente deixar atristeza guardada..
Ao entrar no condomínio, de certa forma "Bem", quando me dei conta, estava procurando ele por todos os canteiros, pra chamá-lo e entrar comigo pela porta.
Talvez a ficha tenha caído aí...pois nem mesmo um tempo depois, ele não entrou pela janela, miando ouriçado querendo o barulhinho da ração "nova".
É uma das maiores dores que já senti, não desejo isso pra ninguém, só pra quem matou ele! Espero que essa pessoa passe uma dor maior que minha e aprenda com isso.
E dele, eu nunca vou esquecer, nunca vou substituir ele...
Ele vai ser meu Gato preto Amuleto, pro resto da minha vida.
Sei como é a dor, e isso tudo me remeteu a certas lembranças. Parece bobo quem olha por fora, mas é a perda de um melhor amigo, de quem a gente podia abraçar e chorar sem ter que explicar o porque, de quem nunca nos decepcionou, com quem tínhamos uma relação sem mágoas, de alguém por quem éramos responsáveis. Fiquei triste pelo preto mas existe uma dor que é só o dono que sente, só quem perde. e sem dúvida não há sentimento pior que a perda. Mas pelo menos numa reunião dessas vamos poder recordar com carinho daquele gato preto bohêmio que só atraía azar pra si mesmo. Força pri, uma hora passa, não totalmente confesso, mas passa.
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